A primeira rodada já deixou claro que o campeonato começou extremamente embolado. Muito disso passa pelo início precoce da temporada: os times ainda estão em fase de ajuste físico e tático, e os favoritos não conseguiram se impor como o mercado esperava.
O Cruzeiro foi o principal exemplo disso. Ainda sem encaixar sob o comando de Tite, o time sofreu uma derrota duríssima por 4×0 para o Botafogo, resultado que já gerou cobrança interna e externa. Mesmo sendo o clube com uma das maiores janelas de investimento da temporada, o Cruzeiro ainda está longe de repetir o futebol organizado do ano passado, especialmente sem a solidez que tinha com Léo Jardim. A expectativa era alta, mesmo vindo de clássico, mas a noite esteve longe do ideal — e até Kaio Jorge passou em branco, para alívio de quem evitou escalá-lo no Cartola.
O Flamengo, por sua vez, ainda não mostrou seu melhor futebol coletivo. Com Arrascaeta retornando gradualmente e sem ritmo total de jogo, o rubro-negro não conseguiu se impor diante de um São Paulo pressionado por crise interna. Mesmo assim, o Tricolor mostrou poder de reação e maturidade em campo, deixando claro que o ambiente fora das quatro linhas nem sempre se traduz em desempenho ruim. Destaques individuais para Luciano e Danielzinho, que foram decisivos.
Já o Palmeiras teve um desempenho ofensivo interessante fora de casa contra o Atlético Mineiro. Flaco López justificou a titularidade com boa presença ofensiva, mas o time ainda apresentou fragilidades defensivas preocupantes. Os gols sofridos vieram de erros incomuns, incluindo um gol contra e uma falha clara do goleiro Carlos Miguel — que quase comprometeu ainda mais o resultado, não fosse o impedimento assinalado em outro lance semelhante.
Ainda é cedo para cravar favoritos absolutos. A Rodada 1 mostrou que o campeonato será de leitura fina, atenção aos detalhes e cuidado com nomes “óbvios”. Para o Cartola e para análises futuras, o recado é claro: momento e contexto estão valendo mais que camisa.
Confronto de alto nível e jogo bem aberto, com as duas equipes buscando o ataque desde o início. O empate reflete bem o que foi visto em campo: intensidade, chances para ambos os lados e pouca concessão ao jogo reativo.
O Palmeiras novamente mostrou força ofensiva, mas ainda não transmite segurança defensiva para um time que entra na temporada com status de candidato ao título. A leitura é clara: o Palmeiras segue sendo um time para explorar do meio para frente, especialmente pensando na próxima rodada, quando enfrenta o Vitória em casa. Para o Cartola, o ataque deve ser novamente o foco — duas ou até três peças ofensivas são perfeitamente viáveis.
Pelo lado do Atlético Mineiro, chama atenção um padrão que vem se repetindo: volume alto de finalizações, principalmente de fora da área. Contra o Red Bull Bragantino, fora de casa na próxima rodada, a tendência é de um jogo novamente movimentado. São 4 gols marcados em 2 jogos, ambos contra adversários de bom nível, além da vitória no clássico diante do Cruzeiro, o que reforça o bom momento ofensivo.
O goleiro Everson foi decisivo com boas intervenções e pode surgir como uma opção interessante de média básica fora de casa, principalmente se o Bragantino pressionar bastante.
O jogo teve dois tempos bem distintos. O Internacional dominou a posse de bola e as ações ofensivas na segunda etapa, mas encontrou extrema dificuldade para furar um Athletico Paranaense muito bem organizado defensivamente e mortal nos contra-ataques. O Furacão soube explorar com precisão os erros do Colorado e foi eficiente quando teve espaço.
O Inter parece ter revivido um fantasma recente do Brasileirão passado. Mesmo vindo de uma vitória marcante no Gre-Nal pelo Gauchão, o time não conseguiu repetir em campo o mesmo nível de intensidade, agressividade e confiança. Diante de um adversário fechado, teve controle territorial e volume ofensivo, mas pecou demais na qualidade do último passe e nas finalizações.
A grande decepção da rodada, pensando em Cartola, ficou por conta de Alan Patrick e Rafael Borré, que não pontuaram sequer com média básica. Faltou acabamento, criatividade em zonas decisivas e maior presença dentro da área. Félix Torres chegou a empatar a partida, mas o lance foi anulado por toque de mão.
Pelo lado do Athletico-PR, a leitura é muito clara: time extremamente veloz, vertical e perigoso no espaço. A dupla Viveros e Mendoza foi um verdadeiro pesadelo para a defesa colorada, demonstrando ótimo entrosamento e capacidade de atacar em transição.
O Furacão poderia ter saído com um placar ainda mais elástico. Viveros perdeu ao menos duas chances claras cara a cara com o goleiro, o que reforça a leitura: times que jogarem com linha alta de marcação tendem a sofrer muito contra esse Athletico.
Destaque também para o goleiro Santos, que fez 5 defesas importantes, garantiu o SG e terminou a rodada entre os goleiros mais eficientes — ficando atrás apenas de Pedro Morisco, do Coritiba, que somou 9 defesas.
A partida mudou completamente de cenário logo no início. O Coritiba teve seu camisa 10, Josué, expulso ainda na metade do primeiro tempo — justamente a principal aposta de criação do time. Com um a menos, o Coxa foi obrigado a baixar as linhas, apostar na retranca e tentar sobreviver em contra-ataques diante de um Red Bull Bragantino muito bem organizado taticamente.
Mesmo extremamente resiliente defensivamente, o Coritiba não conseguiu sustentar a pressão dentro de casa, especialmente contra um Bragantino que segue sem sofrer gols na temporada. O gol saiu no fim, mas foi consequência de um domínio territorial constante. O destaque positivo para o Cartola ficou por conta de Juninho Capixaba, que marcou, manteve SG e foi além da média básica — para alegria de muitos cartoleiros.
Apesar da derrota, os números defensivos do Coritiba seguem chamando atenção — e isso passa, principalmente, pelo seu goleiro. O Coxa vinha sendo o time com menor média de gols sofridos, e mais uma vez isso ficou evidente, mesmo jogando quase toda a partida com um a menos.
Pelo lado do Red Bull Bragantino, a vitória confirmou a força coletiva e a organização defensiva, mas também deixou claro um ponto de atenção: a queda de criatividade após a saída de Jhon Jhon. O time teve dificuldades para transformar volume em gols, tanto que o único gol saiu de forma “chorada”, já no fim da partida.
Desde o pré-jogo havia um favoritismo claro do Vitória, mas o confronto foi mais equilibrado do que o placar sugere até a abertura do marcador. O jogo mudou completamente após uma falha grave do goleiro do Remo na saída de bola, que resultou no primeiro gol. A partir daí, o Remo se desorganizou emocionalmente, perdeu intensidade e ficou apático em campo.
Mesmo em desvantagem, o Remo ainda conseguiu levar algum perigo ao gol do Vitória, mas faltou qualidade nas finalizações — apenas uma delas acertou o alvo durante toda a partida. A leitura é preocupante: trata-se de um time que tende a sofrer bastante ao longo da competição, especialmente contra adversários mais organizados.
O Vitória, sem fazer um jogo brilhante, foi eficiente e contou com boas atuações individuais. Destaques claros para Erick, Mateus Silva, Renato Kayzer e Baralhas, que foram decisivos tanto no resultado quanto no Cartola.
O Fluminense confirmou mais uma vez o histórico recente de favoritismo diante do Grêmio, repetindo o cenário visto no fim da temporada 2025. O Tricolor carioca manteve alto volume ofensivo, principalmente no primeiro tempo, explorando com facilidade os espaços deixados pela defesa gremista.
O Grêmio apresentou fragilidade defensiva em diversos momentos, permitindo infiltrações constantes na área. O goleiro recém-contratado Weverton foi bastante exigido desde o início da partida e teve papel importante para evitar um placar mais elástico. Na segunda etapa, o confronto ficou mais equilibrado, com o Grêmio conseguindo competir melhor e crescer ofensivamente.
Nos minutos finais, o time gaúcho teve a grande chance de empatar a partida, mas o zagueiro Gustavo Martins desperdiçou a oportunidade cara a cara com Fábio, que apareceu bem no momento decisivo.
Jogando na Vila Belmiro, o Corinthians acabou pagando caro pela falta de precisão nas finalizações e foi derrotado após sofrer um gol de pênalti. Apesar do resultado negativo, a atuação não foi ruim: o Corinthians teve grande volume ofensivo, foi superior em boa parte do jogo e criou mais chances do que o adversário.
O Bahia, por sua vez, mostrou maturidade. Soube se defender, foi resiliente quando pressionado e letal nos momentos decisivos. Uma falha defensiva do Corinthians acabou custando, no mínimo, um ponto ao time paulista, que saiu de campo com sensação de frustração pelo que produziu.
A Chapecoense foi extremamente letal em casa e mostrou que pode, sim, assumir o papel de “novo Mirassol” da temporada: time agressivo, eficiente nas chances criadas e com peças decisivas em momentos-chave. Mesmo com o Santos tentando controlar a posse de bola e o volume ofensivo, foi a Chapecoense quem matou o jogo.
O Peixe até tentou se impor tecnicamente, mas voltou a sofrer com problemas defensivos graves. Após conseguir a virada, não sustentou o resultado, sofreu o empate e desmoronou na reta final, levando mais dois gols. O alerta liga automaticamente: o filme lembra bastante o que aconteceu na temporada passada.
Sem Neymar, o Santos teve em Gabriel Menino sua principal válvula de escape — e ele respondeu com uma atuação gigantesca. Ainda assim, o desequilíbrio coletivo pesou. Já a Chapecoense mostrou um modelo claro: efetividade ofensiva, aproveitamento máximo das oportunidades e lateral cobrador de pênaltis, combinação que costuma render muito bem no Cartola.
O Mirassol ainda não apresentou toda a qualidade que o tornou uma das equipes mais organizadas da temporada passada, mas fez o suficiente para vencer em casa, de virada, o Vasco da Gama. A equipe paulista mostrou competitividade, bom volume ofensivo e soube aproveitar o momento de fragilidade do adversário.
O Vasco até saiu na frente com um gol de Philippe Coutinho, de cabeça — algo pouco comum em seu repertório — após um erro de saída de bola do Mirassol pelo lado esquerdo. Mesmo assim, o time carioca não conseguiu sustentar a vantagem.
Pesou bastante a ausência de dois dos principais nomes ofensivos do Vasco: Rayan e Pablo Vegetti. Sem eles, o ataque perdeu poder de fogo, presença de área e capacidade de sustentar pressão. O Mirassol passou a dominar o jogo em volume e criou mais situações claras até encontrar a virada.
O Flamengo ainda mostrou sinais claros de desencaixe coletivo. Com Arrascaeta voltando após não ter atuado na temporada e ainda sem ritmo ideal, o Rubro-Negro teve mais posse de bola, maior volume ofensivo e mais finalizações, mas voltou a pecar no ponto crucial: qualidade na definição das jogadas.
Mesmo abrindo o placar, o Flamengo caiu de rendimento ao longo da partida e permitiu a reação de um São Paulo pressionado fora de campo, mas muito competitivo dentro dele. O Tricolor mostrou força mental, não deixou o ambiente de crise interferir e foi premiado com a virada.
O São Paulo demonstrou que, mesmo sem viver seu melhor momento institucional, segue sendo um time perigoso quando encontra espaço para reagir, principalmente com seus jogadores mais experientes assumindo protagonismo.
O jogo teve dois tempos completamente distintos. O Cruzeiro começou melhor, criando boas oportunidades e chegou a balançar as redes com Kaio Jorge, mas o lance foi corretamente anulado por impedimento. Até ali, o confronto era equilibrado e dava sinais de que poderia ser competitivo.
Tudo mudou no segundo tempo. O Botafogo voltou avassalador, intenso, agressivo e extremamente eficiente. O que se viu foi um domínio total, transformado em uma goleada que expôs de forma clara os problemas do adversário.
O Cruzeiro segue sem encaixar sob o comando de Tite, já bastante cobrado. Mesmo sendo o clube com a segunda maior contratação da janela, ainda está muito distante do futebol organizado apresentado na temporada passada, quando tinha mais segurança defensiva com Léo Jardim. A expectativa era alta, mas a atuação foi frustrante — e a noite de Kaio Jorge passou longe de ser positiva. Felizes os cartoleiros que evitaram qualquer peça celeste.